quinta-feira, 21 de maio de 2009

Brooklyn, Colm Tóibin


Acabou de ser publicado nos Estados Unidos e em Inglaterra. O livro de hoje é uma sugestão de leitura e uma chamada de atenção para os editores portugueses. Vale a pena lê-lo.


BROOKLYN, Colm Tóibin ,
Saiu o novo livro de Colm Tóibin que está já em todas as listas da mais reputada crítica anglo-saxónica. O título evoca um “bairro” muito particular de Nova Iorque, onde desaguavam vagas e mais vagas de imigrantes, imigrantes esses que fizeram toda a diferença no início dos anos 50 do século XX, altura em que se passa esta história. “Brooklyn” relata as desventuras de Eilis Lacey, uma irlandesa cuja família passa grandes dificuldades - o pai morre, os irmãos vão viver para Londres, só lhe resta a mãe e a irmã - e que é convencida a emigrar para a América, por um padre. Em Brooklyn, Eilis arranja trabalho numa loja e estuda contabilidade à noite. Mas o mais triste é que ela nunca desejou verdadeiramente deixar a sua pátria, apesar das condições em que vivia, e o “sonho americano” é algo pesado, sombrio e nada, mas mesmo nada, excitante ou exaltante. Neste romance melancólico, onde as personagens sentem profundamente mas pouco revelam de si mesmas, o tom é definitivamente pouco exuberante e as expectativas dos leitores que contam com um certo desenvolvimento da acção - as pistas deixadas pelo autor, desviam-se do seu curso natural - são inteiramente goradas. Aliás, o mais interessante neste livro - para além do autor escrever bem - é o facto de , apesar de aparentemente banal, a história nunca entrar em clichés. Colm Tóibin - autor de, entre outros, “O Mestre”, uma biografia romanceada de Henry James, e por duas vezes finalista do Booker Prize - é um escritor a seguir com atenção.

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