
sábado, 20 de junho de 2009
Aos 85 anos Gloria Vanderbilt publica "Obsession"

sexta-feira, 19 de junho de 2009
Correntes D' Escritas - 24 a 27 Fevereiro 2010
as obras póstumas, editadas entre Julho de 2007 e Junho de 2009.
3 – Não serão admitidas a concurso quaisquer obras cujo autor tenha sido galardoado com o
PRÉMIO LITERÁRIO CASINO DA PÓVOA nos últimos 6 anos.
4 – O valor do PRÉMIO LITERÁRIO CASINO DA PÓVOA é, em 2010, de 20.000 €.
5 – O prémio será atribuído nos anos pares a novela/romance e nos anos ímpares a poesia.
Assim, em 2010, o Prémio distinguirá Prosa.
social, junto de editores, livreiros e autores, no sentido de que de cada livro, lhe sejam
enviados, pelos meios correntes, até 30 de Agosto de 2009, sete exemplares em português,
destinados ao Júri e à Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, e, no caso dos livros
traduzidos, uma versão original, por forma a poder ser consultada pelos elementos do Júri, se
necessário.
14 – As obras a concurso deverão ser enviadas para a seguinte morada: PRÉMIO LITERÁRIO
CASINO DA PÓVOA, ao c/ de Manuela Ribeiro, Correntes d’ Escritas, Câmara Municipal da
Póvoa de Varzim, Praça do Almada, 4490 – 438, Póvoa de Varzim. "
Pelouro da Cultura/Gabinete de Projectos Sócio-Culturais
Correntes d' Escritas
Tel: + 351 252 298 507/Fax: + 351 252 611 882
manuelaribeiro@cm-pvarzim.pt/mailto:cm-pvarzim.pt/correntesdescritas@cm-pvarzim.pt
http://www.cm-pvarzim.pt/
segunda-feira, 15 de junho de 2009
"A Vida em Surdina"

Imaginem uma história que trata do declínio físico, da morte, da perda, do medo, da decadência mental e de todos aqueles indícios - por mais pequenos que sejam - que nos mostram, em cada dia, ao acordar, que o tempo está a passar a uma velocidade vertiginosa e que, mais coisa menos coisa, vamos "bater a bota", "ir desta para melhor(?)", "esticar o pernil", "subir ao céu", "ir para os anjinhos", com a agravante de, antes, passarmos por certas humilhações, dores e sofrimento que, se não tivermos sorte, não nos matam depressa.
Imaginem que, ao ler o livro que conta esta história - centrada na personagem de Desmond Bates, professor de Linguística reformado e surdo como uma porta - não podem impedir-se de rir às bandeiras despregadas. Quem não leu "A Vida em Surdina" poderá pensar que é improvável que um herói tão pouco apelativo - não ouve nada, faz confusões com tudo, tem uma performance sexual que deixa muito a desejar, é assediado por uma jovem mas esse facto só lhe traz incómodos e complicações indesejadas, trata do pai com oitenta anos com alguma relutância, a primeira mulher morreu com um cancro, a segunda é uma empresária bem sucedida - possa despertar um interesse e uma empatia tão grande. O facto é que entre os risos loucos e as lágrimas, o leitor acompanha um determinado tempo da vida de algumas pessoas que lhe irão ficar na memória.
Não vos vou contar a história. O essencial está na contracapa do livro e o resto terão de descobrir por vós próprios. Mas gostava de chamar a atenção para algumas pistas: David Lodge ficou conhecido pela sua enorme erudição temperada pelo humor em obras que descrevem como ninguém a vida universitária, com ecos de Kingsley Amis e Malcolm Bradbury, seus dignos antecedentes no género. Aqui, esse mesmo universo distancia-se a toda a velocidade, uma vez que Bates - decalcado do próprio Lodge como ele faz questão em sublinhar numa nota final - está reformado (a princípio com uma sensação de alívio, gradualmente com uma sensação de perda) e as suas tentativas para se dedicar "à pesquisa" e a coisas que não tivera ocasião de fazer antes, lhe parecem muito pouco apelativas. Mesmo o assédio de uma aluna americana da sua antiga Escola que o lisonjeia e provoca , não chega para o fazer sair da modorra que o tempo livre e principalmente a surdez lhe proporcionam.
De notar, ainda, como Lodge cria um sub-plot - a história bastante aflitiva com a jovem estudante - para criar um certo suspense erótico e não só, como trata as relações familiares contemporâneas com profunda sensibilidade, como fala do casamento e do amor filial em termos absolutamente brilhantes e , ainda, como "alivia" a tristeza da própria condição do narrador - na 1ª e 3ª pessoas - e a da existência do seu pai ( teimoso, só, cheio de manias, doente) com momentos hilariantes, principalmente à custa da própria deficiência que lhe cria momentos de grande embaraço, tendo em conta os mal entendidos que provoca. A relação com a segunda mulher, Fred ( diminutivo de Winifred) é, mais uma vez, magistralmente tratada. Com o seu nome masculino, Fred está em perfeita décallage temporal e física do marido. Tem muito sucesso e ganha dinheiro com um trabalho que lhe dá prazer, fez algumas plásticas que a rejuvenesceram consideravelmente e parece estar no período mais esplendoroso da vida, com os filhos criados, uma vida social intensa e aberta a grandes sensações e emoções. A forma como este casal se afasta e aproxima é um dos musts do livro, bem como a forma como Lodge trata a cena da reunião da família no Natal. Acreditem, não podem perder. É tudo aparentemente muito simples, as personagens não podem ser mais humanas e a escrita é clara e sem floreados, embora de um rigor extraordinário. David Lodge, o escritor britânico e católico que sabe descrever as dores mais comuns dos seres humanos - a solidão, a perda, a incompreensão, a velhice, o desespero - é, também, capaz de lhes contrapor a esperança, o amor e uma espécie de ternura nada sentimental mas poderosa. Bates, como figura principal, olhado por si próprio e "de fora" é um pólo catalizador de grandes emoções: a solidão partilhada com o pai, a memória terrivelmente dolorosa da primeira mulher, a fricção erótica com Alex ( a jovem estudante) aliada ao medo do ridículo, a distância (ainda) cúmplice com o ambiente do campus, o afastamento, pelo menos aparente, em relação a Fred. Um retrato trágico e cómico de um homem de idade, das suas limitações e vitórias e, principalmente, da sua (cruel) condição humana.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Comunidade de Leitores Culturgest

Com estas explicações, espero que a nova escolha agrade a toda a gente.
Já enviei o texto para a Culturgest.
E aqui fica a versão definitiva:
24/09 - "A Costa dos Murmúrios", Lídia Jorge, Ed. Dom Quixote
8/10 - "A Obra ao Negro", Marguerite Yourcenar, Ed. Dom Quixote
29/10 - "Lillias Fraser", Hélia Correia, Ed. Relógio D'Água
19/11 - "Love", Toni Morrison, Ed. Dom Quixote
3/12 - "Corpo Presente" Anne Enright. Ed. Gradiva
17/12 - "O Mar", John Banville, Ed. Asa
“Só os insensatos preferem a guerra; em tempo de paz, os filhos enterram os pais; em tempo de guerra, os pais enterram os filhos.” Heródoto
Vivemos em guerras permanentes, verdadeiras e falsas, grandes e pequenas; entre países, raças, culturas, no seio de comunidades, de associações, de famílias. Lutamos contra os elementos, contra as políticas, contra a pobreza, contra a riqueza, contra quem amamos, contra quem odiamos e contra nós próprios. Nesta Comunidade iremos reflectir sobre as várias faces da Guerra ou, melhor ainda, sobre a Face das várias guerras, começando por aquela que nos é sugerida pela leitura de “A Costa dos Murmúrios”. Este é um dos três romances que abarcam um tempo “histórico” e que ocuparão a primeira metade desta Comunidade. Aqui, trata-se da Guerra Colonial que funciona como um cenário, uma respiração, uma espécie de doença que a todos aflige, embora de maneiras diversas. No entanto, o que verdadeiramente se passa está relacionado com confrontos entre géneros, com a subordinação sexual, as lutas de raças e de ideologias, as escaramuças contra o poder patriarcal e colonial . Acontece sempre algo semelhante em tempos perturbados por grandes mudanças, como em “A Obra ao Negro”, onde Zenão, médico e alquimista do século XVI, luta pela liberdade da acção e do pensamento, na passagem da Idade Média para o Renascimento. E, no século XVIII, Lillias Fraser, a menina dos olhos dourados e poderes sobrenaturais, escapa da Escócia para Portugal depois da mortífera batalha de Culloden.
Das Guerras públicas passaremos para as privadas em “Love”, onde uma luta implacável é travada entre duas mulheres por causa de um homem, Bill Cosbey, que já está morto no início da história. Christine, a neta, e Heed, a viúva, não admitem tréguas, apesar de serem da mesma idade, viverem debaixo do mesmo tecto e terem sido amigas na juventude.
Em “Corpo Presente”, conta-se a velha história das batalhas familiares. Desta feita, trata-se da dos Hegarty, os irlandeses com olhos de um azul intenso e alucinado, dados ao alcoolismo, ao humor negro e à tendência para a autodestruição. Há um corpo a enterrar tal como em “O Mar”, um romance sobre a luta contra o esquecimento, na memória eternamente incandescente de Max Morden, o homem que foi menino e salvo pela família Grace.
Em última instância, todas as lutas são contra a morte, embora se morra sempre ( e se mate), lutando.
sábado, 6 de junho de 2009
A Exposição "Homenagem e Esquecimento" em Évora

De regresso do Alentejo, depois da sessão com o meu livro em Évora - uma apresentação perfeita, inteligente, bem disposta e perspicaz de Cláudia Sousa Pereira que deu direito a perguntas da assembleia e muita conversa - depois de ver bons amigos, de dormir, comer e beber maravilhosamente, não quero deixar de vos aconselhar uma exposição que se encontra, também em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida.
Tem como (belo) título "Homenagem e Esquecimento" e é comissariada por Leonor Nazaré, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian.
Inaugurou a 4 de Junho - exactamente à mesma hora da apresentação do meu livro - mas tive tempo de ver a exposição "antes" e de estar um pouco com a minha amiga Graça Pereira Coutinho, cuja obra prezo muitíssimo.
A exposição tem peças lindíssimas e a ideia é muito interessante, com o tema do esquecimento a dominar. Esquecemos por defesa natural ou por indiferença? Pelo peso dos anos, pela passagem do tempo ou por egoísmo? Ao exercer a prática da homenagem - privada ou pública, silenciosa ou estridente - lutamos contra a perda de memória, contra a queda no buraco negro do olvido.
Estes artistas, nas suas respectivas obras - escultura, pintura, fotografia e gravura - marcam, cravam, deixam vestígios das suas memórias, da sua passagem pelo mundo. Os 16 artistas escolhidos são : João Cutileiro, Henry Moore, José Pedro Croft, Noronha da Costa, Daniel Blaufuks, Ana Vieira, Canto da Maia, Almada Negreiros, Gaëtan, Fernando Lemos, Maria Beatriz, Rui Sanches, João Onofre, Cabrita Reis e Alexandre Estrela e Graça Pereira Coutinho.
Para mim, as mais belas obras expostas são as de Graça Pereira Coutinho, José Pedro Croft, Gaëtan, Rui Sanches, Pedro Cabrita Reis, talvez porque as conheça bem e reveja aqui, mais uma vez, a intrínseca qualidade que têm mantido ao longo de décadas e o chamamento profundo que provocam. Mas todas as obras são interessantes e merecem mais do que uma visita.
Não se esqueçam, a Fundação Eugénio de Almeida é em Évora, muito perto da Biblioteca e do Templo de Diana.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
"A Infância é um País Estrangeiro" em Évora
Estou muito feliz por esta oportunidade de voltar a ver as amigas e amigos de Évora, principalmente aqueles que participaram numa Comunidade de Leitores, nesta mesma Biblioteca, no Inverno 2008 - 2009. Vou agora meter-me ao caminho.