terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Nova Biografia de J.D. SALINGER


Salinger no Exército

Acabou de sair, nos Estados Unidos, a biografia de J.D. SALINGER por Kenneth Slawenski (Random House). Foi preciso que o autor de "À Espera no Centeio"morresse para se ouvir falar mais dele. Ainda não li esta obra mas espero ficar mais elucidada em relação a um autor excêntrico e recluso que escolheu viver fora dos circuitos literários e cuja obra é absolutamente notável. De acordo com os textos promocionais trata-se aqui de um retrato da sua vida e obra, incluindo relatos sobre a sua participação na IIª Grande Guerra que inspirou muitos dos seus contos. Slawenski também tenta explicar as contradições do escritor, as suas idiossincrasias e manias, a sua misantropia e personalidade complexa. A ler, claro.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O próximo romance de Lídia Jorge


Será um vício quiçá punido por lei no futuro - espero que não!- esta minha alegre antecipação quanto a obras que estão prestes a ser editadas. Como se não tivesse já muito para ler - e continuo a achar que a morte seria absolutamente suportável se houvesse livros "do outro lado" - fico a "salivar" à espera do que aí vem.
Depois de ter escrito, aqui, sobre a programação da Porto Editora - e esqueci-me de mencionar o próximo livro de Pedro Almeida Vieira que deverá ser mais um romance histórico tão singular e apaixonante como os que o precederam - quero falar de uma obra que aguardo com bastante expectativa. Trata-se do próximo romance de Lídia Jorge, " A Noite das Mulheres Cantoras", a editar pela D. Quixote. O que me agrada na obra de Lídia Jorge é o facto de ela não se limitar aos temas que assolam a nossa - e muitas outras -Literatura (s) - abrangendo um universo alargado que transcende o que é local, nacional e "de género". Tal aconteceu com o magnífico "Combateremos a Sombra" e espero que aconteça com este que, de acordo com as palavras da sua editora Cecília Andrade, será sobre a "idolatria e construção do êxito". É um assunto que não pode estar mais na ordem do dia e, atrever-me-ia a acrescentar, na agenda das nossas vidas. Porque esta história do êxito tem muito que se lhe diga, é uma faca de dois gumes: em meu entender é positivo ter-se êxito "a partir de dentro", isto é, de acordo com as nossas vitórias seja lá no que nos propusermos fazer; mas o êxito procurado "de fora para dentro", rápido, fugaz e sem contrapartida real e forte - sem uma "reserva do tesouro" como nas finanças - baseado em sinais exteriores e acontecimentos superficiais será, a meu ver, efémero e até prejudicial. Estou bastante moralista, hoje, mas espero aprender com Lídia Jorge sobre o "êxito e a perda, sobre um equívoco e a passagem do tempo". O facto de se passar nos anos 80 - uma década onde se construiu o mundo destruído de hoje - ainda mais desperta a minha curiosidade.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Primeiro semestre de 2011 na PORTO EDITORA


Fotos: Howard Jacobson e Joyce Carol Oates
No passado dia 10 de Janeiro fui convidada, pela Porto Editora, para a apresentação da sua temporada editorial referente ao primeiro semestre deste ano (2011); seguiu-se um almoço muito simpático onde encontrei amigos - fiquei ao lado do Eduardo Pitta, de quem gosto muito - e conheci novos companheiros e companheiras destas lides. Houve muita conversa, trocaram-se mexericos singelos e inofensivos, comeu-se a sopa e o resto e, como seria de esperar, falou-se principalmente de Literatura. Os críticos e editores da Cultura são exigentes, caprichosos e muito - mas mesmo muito - ávidos de mais livros, mais e mais volumes, mais e mais frases, mais e mais palavras. (O que é óptimo). Discutimos autores e títulos de obras com o à-vontade de quem fala de velhos amigos ou de família e não nos coibimos, obviamente, de lançar uma palavra mais áspera sobre este ou aquele outro - alguns, por estarem já mortos não se devem importar minimamente! - sempre com um bom vinho no copo e interrompidos por um ou outro toque de telemóvel nos bolsos rapidamente revirados dos mais assoberbados pelo trabalho.
No que toca à temporada editorial - a razão principal deste texto - aproveito para referir, aqui, as minhas "apostas" ou "prognósticos" que, neste caso são "antes do jogo", exceptuando o último romance de Joyce Carol Oates "A Filha do Coveiro" porque já o li e é um espanto - a 15 de Fevereiro sairá nos Estados Unidos "A Widow 's Story" sobre a sua vida depois da morte do marido, em 2008 - e "A Questão Finkler" de Howard Jacobson que ganhou o último Booker Prize e que me deu tanto prazer a ler que até tenho vergonha de confessar. É hilariante, magistral e, embora já tenham colado um rótulo ao senhor - o Philip Roth inglês - parece-me que ele se valerá a si próprio. Sai em Fevereiro, creio eu, e espero ter a oportunidade de falar mais sobre esta obra.
De resto, estou ansiosa por ler "O Ar que Respiras" de Maria João Martins - até porque a autora teve a simpatia de me convidar para o apresentar - e porque a história está ligada à poeta Elizabeth Barrett Browning, uma das senhoras vitorianas que habitam o meu espaço.
E ainda: "Os Demónios de Berlim", um romance histórico passado na IIª Grande Guerra de Ignacio del Valle e o livro de Rubem Fonseca "Bufo e Spallanzani" bem como "Room" de Emma Donoghue que ainda não li mas que já tenho cá em casa - não sei se consigo esperar pela edição portuguesa que só chegará no fim da Primavera.
Claro que há muitos mais títulos , para todos os gostos e idades, como se diz. Mas, por enquanto ficar-me-ei por aqui.




quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O "realismo histérico" de Jonathan Franzen


De Jonathan Franzen li "CORRECÇÕES", em português - edição D. Quixote - e "FREEDOM" em inglês, enquanto não chega às livrarias a edição portuguesa. Estou a escrever sobre o autor que muito tem dado que falar. Na linha desse meu trabalho, tenho mergulhado na leitura das críticas e deparei-me com uma classificação - provavelmente já por demais conhecida dos meus companheiros e companheiras das recensões e dos blogues - que me parece interessante. Não sei se foi a poderosa Michiko Kakutani do New York Times ou qualquer outro "guru" das tendências literárias que cunharam as obras de autores como Don DeLillo, Denis Johnson e o suicidário David Foster Wallace como parte do novo "Realismo Histérico", um termo amplamente discutido nos vários orgãos competentes.
Fico a pensar no que dirá Harold Bloom desta "nouvelle vague".

"Um Traidor dos Nossos" John LeCarré




Acabei de ler o último romance de le Carré - isto é, do senhor David Cornwell - e escrevi um texto sobre este livro para o Ípsilon - Público. (Não sei quando sairá mas avisar-vos-ei). "Um Traidor dos Nossos" mostra a grande maestria do autor, o seu humor negro e uma espécie de desespero "filosófico" perante o barulho do mundo. Le Carré não poupa nada nem ninguém: a conivência dos governos, das entidades reguladoras e dos chamados "impérios financeiros" com as máfias e o submundo - tendo em vista lucros cada vez mais astronómicos - a ingenuidade dos "idealistas" e a indiferença geral da população perante as manigâncias do poder. É um livro amargamente cómico e alegremente trágico. A edição é da D. Quixote, Lisboa, 2010. Tradução de J. Teixeira de Aguilar.

Aqui fica uma pequeníssima passagem.

Diz Hector a Perry: (pág. 123) - sobre os Serviços Secretos britânicos:
" Sabemos o que o senhor pensa de nós. Alguns de nós pensamos o mesmo, e temos razão. O problema é que somos a única coisa que se aproveita. O governo é uma desgraça e metade do funcionalismo público não mexe uma palha. Os Negócios Estrangeiros têm tanta utilidade como uma viola num enterro, o país está de tanga e os banqueiros ficam-nos com o dinheiro e fazem-nos um manguito. Que havemos nós de fazer? Queixinhas à mamã, ou consertar as coisas?"

Haverá algo que soa familiar, neste cenário?
E quem diz que "conserta" as coisas será de fiar?


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Comunidade de Leitores na Biblioteca de Loures

EXPIAÇÃO de Ian McEwan, Ed. Gradiva, Lisboa, 2002

No dia 6 de Janeiro, estarei na Biblioteca Municipal de Loures - Biblioteca José Saramago - para mais uma sessão da Comunidade de Leitores. Vamos discutir "Expiação" de Ian McEwan, um livro de que gosto particularmente e que está associado à vinda a Lisboa do autor, da apresentação que ficou a meu cargo - na Faculdade de Letras de Lisboa (Universidade Clássica) - e de um subsequente jantar numa casa de fados - que McEwan adorou.

Deixo aqui uma citação de um texto sobre este autor que faz parte de uma série de intervenções minhas, dedicadas à Literatura anglo-saxónica, intitulada "Marcas":

"(Com a publicação, em 2001 de "Expiação") ... McEwan surpreendeu todos com um livro que contém em si todas as suas preocupações habituais mas que conta uma história bastante diferente. "Expiação" é um romance contemporâneo com características singulares, um exemplo de como este género literário pode ser extremamente complexo e até erudito, mantendo, no entanto, a faculdade indispensável de estar perto do leitor e de ser reconhecido como género popular. Numa primeira leitura, “Expiação” pode passar por ser mais uma boa história para “distrair”. Ou seja, satisfaz o leitor com os ingredientes habituais: um romance familiar que refere temas como o idílio da infância destroçada, a juventude iluminada pelo amor, a paixão, a violência, a vida, a guerra, a morte, um certo “suspense”, enganos e desenganos, belas paisagens, casas de campo inglesas, lealdades e traições, nobreza de sentimentos e, principalmente, a noção da passagem inexorável do tempo. Mas quem se der ao trabalho de ler com mais atenção descobre que “Expiação” é um romance sobre o romance a começar pela citação de “Northanger Abbey” de Jane Austen, a abrir o livro."

domingo, 26 de dezembro de 2010

Os melhores LIVROS de 2010

Uma vez que creio que há pessoas que compram livros mesmo que já não seja Natal, aqui fica a minha lista, a mesma que entreguei no Jornal Público, Suplemento Ípsilon - balanço do ano 2010.
Os 20 Melhores livros estrangeiros – de realçar as óptimas traduções que valorizam as obras:

LIVROS 2010

Helena Vasconcelos

1- As Aventuras de Augie March, Saul Bellow, Ed. Quetzal
2 - Verão, J.M. Coetzee, Ed. Dom Quixote
3 - Um Traidor dos Nossos, John Le Carré, Ed. Dom Quixote
4 - O Sonho do Celta, Mario Vargas Llosa, Ed. Quetzal
5 - Woolf Hall, Hillary Mantel, Ed. Civilização
6 – Doutor Fausto, Thomas Mann, Ed. D. Quixote
7 - Ao Cair da Noite, Michael Cunningham, Ed. Gradiva
8 – O Quinto da Discórdia – Robertson Davies, Ed. Ahab
9 - Na Sombra do Pai, Richard Russo, Porto Editora
10 - A Beleza e a Tristeza, Yasunari Kawabata, Ed. Dom Quixote
11 – As Serviçais, Kathryn Stockett, Ed. Saída de Emergência
12 - Coluna de Fumo – Denis Johnson, Ed. Casa das Letras
13 – O Escriturário Indiano, David Leavitt, Ed. Teorema
14 - A Viúva Grávida, Martin Amis, Ed. Quetzal
15 – Tempestade, William Boyd, Casa das Letras
16 – Águas da Primavera, Ivan Turgénev, Ed. Relógio D’ Água
17 – Memento Mori, Muriel Spark, Ed. Relógio D’Água
18 – Raparigas de Província, Edna O’Brien, Ed. Relógio D’ Água
19 – Falconer, John Cheever, Sextante Editora
20 - A Mecânica da Ficção, James Wood, Ed. Quetzal