quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Próxima Comunidade Leitores CULTURGEST, Lisboa


Já posso anunciar o programa da próxima Comunidade de Leitores na CULTURGEST, em Lisboa.

As nossas leituras andarão em torno da ideia de O MEDO.

Aqui ficam o texto, as datas e a lista dos livros.

Para mais indicações contactem, por favor, a CULTURGEST

"O medo é uma constante da vida, tanto nos seres humanos como nos animais. (Há quem defenda que até as plantas experimentam medo). Nos animais, o medo funciona como um sinal de alarme perante perigos reais, levando-os a pôr em marcha os seus mecanismos de defesa. E quanto aos seres humanos? Numa sociedade urbana, laica e racionalista, as trevas foram afastadas e o inferno é experimentado em vida e não como promessa de castigo divino depois da morte. Até mesmo as velhas superstições – quem, hoje em dia, não sai de casa numa sexta-feira, 13 – têm sido relegadas para o quase esquecimento. No entanto, o que poderá acontecer quando desaparecem as regras civilizacionais que damos como certas e nos vemos confrontados com a Natureza em toda a sua selvajaria – como acontece com os rapazes de O Deus das Moscas – ou nos encontramos num cenário de guerra como o assustado soldado de A Insígnia Vermelha da Coragem de Stephen Crane? Em contrapartida, numa sociedade dita “pacífica” mas fortemente preocupada com a segurança, monitorizada por redes de vigilância, despudoradamente esquadrinhada graças às tecnologias da comunicação, porque continuamos a sentirmo-nos ameaçados? E quais os receios que mais nos atormentam? Certamente o das doenças e do envelhecimento, como acontece com o personagem principal de A Vida em Surdina de David Lodge; mas, também, com o possível descontrolo no âmbito das experiências científicas, uma questão perturbadora que se encontra no âmago de Nunca me Deixes de Kazuo Ishiguro, onde também se fala de afectos e do pavor de perder entes queridos; esta questão remete-nos para este nosso tempo, no qual convivemos intensamente com o terror público, aleatório, cruel. O ataque de 11 de Setembro, 2001, teve consequências que ainda estão por apurar – e o nova-iorquino Jay McInerney não se coíbe de as aprofundar em A Boa Vida. Finalmente, como lidar com o medo do inexplicável como acontece na arrepiante novela de Henry James, A Volta do Parafuso, um digno representante da Literatura dita de terror?"


Programa

20 de Janeiro
A Insígnia Vermelha da Coragem
Stephen Crane, Ed. Vega

3 de Fevereiro
O Deus das Moscas
William Golding Ed. Dom Quixote

17 de Fevereiro
A Vida em Surdina
David Lodge, Ed. Asa

17 de Março
A Boa Vida
Jay McInerney, Ed. Teorema

31 de Março
Nunca me Deixes
Kazuo Ishiguro, Ed. Gradiva

14 de Abril
A Volta do Parafuso
Henry James, Ed. Relógio D’Água

In most animals fear is a defence mechanism. And in humans? In our rational society hell is experienced in life and not after death, and even old superstitions are almost forgotten. But what happens when savagery returns, such as in Lord of the Flies, or The Red Badge of Courage? And yet in a “peaceful” society concerned with security and monitored by CCTV, why do we feel threatened? What fears torment us? Old-age ailments, yes, as portrayed by David Lodge; but also out-of-control science, as examined by Kazuo Ishiguro. The repercussions of the 9/11 attacks are still not fully understood, as Jay McInerney shows in The Good Life. And how do we deal with fear of the unknown, as in Henry James’s The Turn of the Screw?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MONTAIGNE: o primeiro Blogger?


Sara Bakewell publicou este ano um livro How to Live (Other Press) que é uma biografia em forma de conversa, através dos tempos. O subtítulo é “Or a Life of Montaigne in One Question and Twenty Attempts at an Answer” , o que já explica como ela organizou o livro.
Montaigne é considerado o grande criador do "Ensaio", uma forma literária que condensa dados intelectuais e pessoais do (a) autor(a) e que foi utilizado por escritores como William Hazlitt, Friedrich Nietzsche, Virginia Woolf, George Steiner e muitos mais. Para Sara Backewell, as pessoas que, hoje em dia, mantêm sites e blogues podem ser incluídos na mesma categoria.

Francesca Woodman




Descobri uma fotógrafa que me está a interessar muito. Provavelmente já a conhecem mas eu confesso que ainda me não tinha cruzado com ela. Francesca Woodman - April 3, 1958 - January 19, 1981 - foi uma fotógrafa americana que se suicidou com 22 anos.
Escrevi estas palavras no Facebook e logo de seguida, encontrei um catálogo de uma exposição na Tate Modern - que eu vi - onde havia fotografias e vídeos desta mesma artista que tratou incessantemente o tema do auto-retrato e do retrato. Para ela o corpo - muitas vezes desfocado - é o epicentro de todos os turbilhões. Ela utiliza a baixa velocidade na fotografia para que os corpos quase desapareçam.
Sim, afinal já tinha visto as suas fotografias. Impressionantes. Vou precisar de mais tempo para as olhar de perto e reflectir. Francesca Woodman seguiu Diane Arbus, outra grande fotógrafa americana que também utilizou o preto e branco e também se suicidou.

sábado, 23 de outubro de 2010

Comunidades de Leitores


Mais noticias sobre Comunidades de Leitores:
Na quinta-feira passada, dia 21 de Outubro, 2010, fiz a primeira sessão (de seis) da Comunidade de Leitores em Loures, na Biblioteca Municipal José Saramago, com um grupo de pessoas atentas e bem informadas. Apesar de ter voltado a Jane Austen e a "Orgulho e Preconceito" – com o embalo que já trago da Culturgest – aprendi mais e descobri novas perspectivas. Como é hábito quando se trata de Austen desfizemos muitos "preconceitos" em relação à grande escritora inglesa, sem orgulho mas com eficácia.
Gosto de mencionar que as pessoas que organizam, na Biblioteca, estes encontros – Cristina e Orlanda – fizeram um óptimo trabalho: placas informativas sobre a escritora e a obra, dispostas e forma a que os participantes pudessem consultá-las.
Muito importante: Jane Austen NÃO É uma escritora vitoriana. De acordo?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mario Vargas Llosa - vencedor do Prémio Nobel Literatura 2010


E o Nobel foi... para Mario Vargas Llosa, peruano e cidadão do mundo, romancista, contista, jornalista, ensaísta, escritor empenhado nas lutas políticas e sociais e testemunha privilegiada - e crítica - da história da América Latina.
Quando esteve em Lisboa, em 2003, entrevistei-o a propósito da publicação, em Portugal, de " O Paraíso na Outra Esquina" . A entrevista está publicada na Storm-Magazine - www.storm-magazine.com com o título Mario Vargas Llosa: a Cultura da Liberdade. ( Edição nº 14 Novembro/Dezembro, 2003).

Comunidade de Leitores-CULTURGEST


Sessão da Comunidade: Hoje, às 18:30h , mais uma sessão da Comunidade de Leitores da Culturgest. Vamos discutir "Orgulho e Preconceito" de Jane Austen. Continuamos a explorar o tema da "Reivindicação do Amor". Nada como este romance - aparentemente superficial e "romântico" - para desmontar as complexas relações entre homens e mulheres e os seus anseios de felicidade e conjugalidade. O dinheiro, o casamento, a esfera do público versus a do privado, as alterações sociais,a condição feminina numa altura em que Mary Woolstonecraft já publicara "A Vindication of Rights of Women" e as Guerras napoleónicas se travavam em terra e no mar. Num tempo de instabilidade e mudança, como é que Jane Austen aborda os temas mais universais relativos ao ser humano?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Comunidade de Leitores na Culturgest, Lisboa


É já amanhã, dia 23 de Setembro de 2010, que iniciamos mais uma COMUNIDADE DE LEITORES na CULTURGEST, Lisboa


Tema: A Reivindicação do AMOR II


De que falamos quando falamos de Amor? O título do conto do escritor americano Raymond Carver serve para introduzir esta questão tão pertinente agora, em 2010, como o tem sido ao longo de milhares de anos. O ser humano, caracterizado pela sua tendência para o ódio e para a destruição, redime-se através do Amor, enaltecido e glorificado, base de doutrina de todas as grandes religiões, motor de criação nas Artes, sentimento presente nas Ciências e na Política, “produto” manipulado pela publicidade e pelos média, emoção virtuosa que tanto pode ser elevada aos píncaros, como maculada por vícios diversos e incomensuráveis. Na Grécia Antiga não existia uma só palavra para o Amor, antes se usavam termos tão variados como philia, eros, agape, storge e xenia, embora as fronteiras entre eles não fossem bem nítidas. De que amor se trata no caso de Antígona, a jovem que desafia as ordens do rei para cumprir os rituais funerários devidos ao seu irmão Polinice? Jane Austen preferia usar o termo “afecto” para definir o sentimento que prevalece nos seus romances, enquanto as suas heroínas têm que se haver com a moral, os costumes e as boas maneiras. E se, no desarmante D. H. Lawrence, encontramos as sementes controversas da Revolução Sexual dos anos 60, em Alan Hollinghurst descobrimos, sob a égide de Henry James, a decadente sociedade dos anos 80 onde se “cozinharam” os dramas que hoje estamos a viver; finalmente, Yourcennar trata a questão da paixão erótica e Graham Greene a intervenção – ou interferência – da fé religiosa numa relação adúltera e obsessiva. Continuarão os escritores a conjugar os significados do Amor nas suas obras? Como os distinguir nos livros que iremos ler?

Programa:
23 de Setembro
Antígona
Sófocles, qualquer edição disponível

7 de Outubro
Orgulho e Preconceito
Jane Austen, Ed. Europa-América

28 de Outubro
Mulheres Apaixonadas
D. H. Lawrence, Ed. Relógio D’Água

18 de Novembro
Como a Água que Corre
Marguerite Yourcenar, Ed. Difel

2 de Dezembro
O Fim da Aventura
Graham Greene, Ed. Asa

16 de Dezembro
A Linha da Beleza
Alan Hollinghurst, Ed. Asa


What We Talk About When We Talk About Love is the title of a story by Raymond Carver and introduces a question which is as relevant now as it ever was. The Greeks had many words for love, although how their meaning differed is unclear. What kind of love is meant in Antigone, the girl who buries her brother Polynices in defiance of the king? In Jane Austen’s novels, in which her heroines have to deal with custom and good manners, she uses the term “affection”. And while D. H. Lawrence sowed the seeds of the 1960s’ sexual revolution, Alan Hollinghurst gives us 1980s decadence. Finally, Yourcennar deals with erotic passion and Graham Greene with the intervention – or interference – of faith in an obsessive relationship.