segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MONTAIGNE: o primeiro Blogger?


Sara Bakewell publicou este ano um livro How to Live (Other Press) que é uma biografia em forma de conversa, através dos tempos. O subtítulo é “Or a Life of Montaigne in One Question and Twenty Attempts at an Answer” , o que já explica como ela organizou o livro.
Montaigne é considerado o grande criador do "Ensaio", uma forma literária que condensa dados intelectuais e pessoais do (a) autor(a) e que foi utilizado por escritores como William Hazlitt, Friedrich Nietzsche, Virginia Woolf, George Steiner e muitos mais. Para Sara Backewell, as pessoas que, hoje em dia, mantêm sites e blogues podem ser incluídos na mesma categoria.

Francesca Woodman




Descobri uma fotógrafa que me está a interessar muito. Provavelmente já a conhecem mas eu confesso que ainda me não tinha cruzado com ela. Francesca Woodman - April 3, 1958 - January 19, 1981 - foi uma fotógrafa americana que se suicidou com 22 anos.
Escrevi estas palavras no Facebook e logo de seguida, encontrei um catálogo de uma exposição na Tate Modern - que eu vi - onde havia fotografias e vídeos desta mesma artista que tratou incessantemente o tema do auto-retrato e do retrato. Para ela o corpo - muitas vezes desfocado - é o epicentro de todos os turbilhões. Ela utiliza a baixa velocidade na fotografia para que os corpos quase desapareçam.
Sim, afinal já tinha visto as suas fotografias. Impressionantes. Vou precisar de mais tempo para as olhar de perto e reflectir. Francesca Woodman seguiu Diane Arbus, outra grande fotógrafa americana que também utilizou o preto e branco e também se suicidou.

sábado, 23 de outubro de 2010

Comunidades de Leitores


Mais noticias sobre Comunidades de Leitores:
Na quinta-feira passada, dia 21 de Outubro, 2010, fiz a primeira sessão (de seis) da Comunidade de Leitores em Loures, na Biblioteca Municipal José Saramago, com um grupo de pessoas atentas e bem informadas. Apesar de ter voltado a Jane Austen e a "Orgulho e Preconceito" – com o embalo que já trago da Culturgest – aprendi mais e descobri novas perspectivas. Como é hábito quando se trata de Austen desfizemos muitos "preconceitos" em relação à grande escritora inglesa, sem orgulho mas com eficácia.
Gosto de mencionar que as pessoas que organizam, na Biblioteca, estes encontros – Cristina e Orlanda – fizeram um óptimo trabalho: placas informativas sobre a escritora e a obra, dispostas e forma a que os participantes pudessem consultá-las.
Muito importante: Jane Austen NÃO É uma escritora vitoriana. De acordo?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mario Vargas Llosa - vencedor do Prémio Nobel Literatura 2010


E o Nobel foi... para Mario Vargas Llosa, peruano e cidadão do mundo, romancista, contista, jornalista, ensaísta, escritor empenhado nas lutas políticas e sociais e testemunha privilegiada - e crítica - da história da América Latina.
Quando esteve em Lisboa, em 2003, entrevistei-o a propósito da publicação, em Portugal, de " O Paraíso na Outra Esquina" . A entrevista está publicada na Storm-Magazine - www.storm-magazine.com com o título Mario Vargas Llosa: a Cultura da Liberdade. ( Edição nº 14 Novembro/Dezembro, 2003).

Comunidade de Leitores-CULTURGEST


Sessão da Comunidade: Hoje, às 18:30h , mais uma sessão da Comunidade de Leitores da Culturgest. Vamos discutir "Orgulho e Preconceito" de Jane Austen. Continuamos a explorar o tema da "Reivindicação do Amor". Nada como este romance - aparentemente superficial e "romântico" - para desmontar as complexas relações entre homens e mulheres e os seus anseios de felicidade e conjugalidade. O dinheiro, o casamento, a esfera do público versus a do privado, as alterações sociais,a condição feminina numa altura em que Mary Woolstonecraft já publicara "A Vindication of Rights of Women" e as Guerras napoleónicas se travavam em terra e no mar. Num tempo de instabilidade e mudança, como é que Jane Austen aborda os temas mais universais relativos ao ser humano?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Comunidade de Leitores na Culturgest, Lisboa


É já amanhã, dia 23 de Setembro de 2010, que iniciamos mais uma COMUNIDADE DE LEITORES na CULTURGEST, Lisboa


Tema: A Reivindicação do AMOR II


De que falamos quando falamos de Amor? O título do conto do escritor americano Raymond Carver serve para introduzir esta questão tão pertinente agora, em 2010, como o tem sido ao longo de milhares de anos. O ser humano, caracterizado pela sua tendência para o ódio e para a destruição, redime-se através do Amor, enaltecido e glorificado, base de doutrina de todas as grandes religiões, motor de criação nas Artes, sentimento presente nas Ciências e na Política, “produto” manipulado pela publicidade e pelos média, emoção virtuosa que tanto pode ser elevada aos píncaros, como maculada por vícios diversos e incomensuráveis. Na Grécia Antiga não existia uma só palavra para o Amor, antes se usavam termos tão variados como philia, eros, agape, storge e xenia, embora as fronteiras entre eles não fossem bem nítidas. De que amor se trata no caso de Antígona, a jovem que desafia as ordens do rei para cumprir os rituais funerários devidos ao seu irmão Polinice? Jane Austen preferia usar o termo “afecto” para definir o sentimento que prevalece nos seus romances, enquanto as suas heroínas têm que se haver com a moral, os costumes e as boas maneiras. E se, no desarmante D. H. Lawrence, encontramos as sementes controversas da Revolução Sexual dos anos 60, em Alan Hollinghurst descobrimos, sob a égide de Henry James, a decadente sociedade dos anos 80 onde se “cozinharam” os dramas que hoje estamos a viver; finalmente, Yourcennar trata a questão da paixão erótica e Graham Greene a intervenção – ou interferência – da fé religiosa numa relação adúltera e obsessiva. Continuarão os escritores a conjugar os significados do Amor nas suas obras? Como os distinguir nos livros que iremos ler?

Programa:
23 de Setembro
Antígona
Sófocles, qualquer edição disponível

7 de Outubro
Orgulho e Preconceito
Jane Austen, Ed. Europa-América

28 de Outubro
Mulheres Apaixonadas
D. H. Lawrence, Ed. Relógio D’Água

18 de Novembro
Como a Água que Corre
Marguerite Yourcenar, Ed. Difel

2 de Dezembro
O Fim da Aventura
Graham Greene, Ed. Asa

16 de Dezembro
A Linha da Beleza
Alan Hollinghurst, Ed. Asa


What We Talk About When We Talk About Love is the title of a story by Raymond Carver and introduces a question which is as relevant now as it ever was. The Greeks had many words for love, although how their meaning differed is unclear. What kind of love is meant in Antigone, the girl who buries her brother Polynices in defiance of the king? In Jane Austen’s novels, in which her heroines have to deal with custom and good manners, she uses the term “affection”. And while D. H. Lawrence sowed the seeds of the 1960s’ sexual revolution, Alan Hollinghurst gives us 1980s decadence. Finally, Yourcennar deals with erotic passion and Graham Greene with the intervention – or interference – of faith in an obsessive relationship.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Frank Kermode



FRANK KERMODE 29 November 1919 – 17 August 2010


Morreu Frank Kermode, aos 90 anos. Foi um dos grandes críticos literários ingleses, colaborador regular da London Review of Books - que ajudou a criar - e da New York Review of Books. Especialista em Shakespeare mas também em Philip Roth, Homero, Ian McEwan, a Bíblia, Don DeLillo, John Donne, Wallace Stevens and D. H. Lawrence, entre muitos outros. Em Dezembro do ano passado publicou o seu último livro sobre E.M. Forster. Autor de inúmeras obras, destacamos algumas: "Romantic Image" (1957), "The Sense of an Ending" (1967) "Shakespeare’s Language" (2000). Foi, entre outras atribuições, Lord Northcliffe Professor of Modern English Literature no University College, Londres e King Edward VII Professor of English Literature na Universidade de Cambridge. Recebeu todos os prémios e títulos honoríficos possíveis - foi-lhe atribuído o título de SIR, caso raro entre críticos literários - mas era pessoa discreta, como é possível constatar na sua irónica autobiografia com o título sugestivo "Not Entitled", publicada em 1995.