quinta-feira, 1 de abril de 2010

Última Sessão da Comunidade de leitores dedicada ao tema do Amor


Gabriel Garcia Márquez, "O Amor nos Tempos de Cólera"
Uma saga feérica, fantástica, feroz sobre o amor e, sobretudo, sobre a (des)construção humana dos sentimentos e das paixões no cenário alucinante da Colômbia - supõe-se que seja Cartagena.
Alguns Temas:
- A "razão" de Juvenal Urbino versus a "irracionalidade" de Florentio Ariza.
- A importância da figura em torno da qual tudo gira - Fermina Daza
- O Amor como doença - (fazer a ligação com o tema da obsessão em "O Fardo do Amor" de McEwan - diferenças.)
- O Amor e a sua ligação com as questões políticas e sociais - (fazer a ligação com "O Vermelho e o Negro" de Stendhal).
- O Amor que sobrevive ao tempo - o amor que foge às convenções do "amor jovem". O amor no final da vida como desejo de imortalidade.

terça-feira, 16 de março de 2010

"O Fardo do Amor" Ian McEwan


Hoje, na Culturgest, em Lisboa, Comunidade de Leitores, 18:30 h. Vamos discutir "O Fardo do Amor" de Ian McEwan, Ed Gradiva . Aqui, o amor observado à luz do avanço científico - neurociências. Um romance que abre o debate em torno dessas mesmas teorias e descobertas.
O título em inglês, "Enduring Love" é mais complexo - implica suportar e resistir.

Qual a ligação com "Werther" de Goethe, a nossa leitura anterior?
Mas de que amor se trata neste livro? Um amor obsessivo (Jed)? Um amor racional (Joe Rose)? Um amor com reminiscências românticas ( Clarissa)?
Jed é místico - "irracional"
Joe é um cientista - "racional"
Clarissa estuda o poeta romântico John Keats - emotiva

Como apreender o curso de um romance que é, fundamentalmente, um longo debate em torno da percepção, esgrimindo teorias? Darwinistas versus anti - evolucionistas?

Onde entram as teorias de António Damásio?

Como é que as pessoas se apaixonam e se desapaixonam?

O que é a Religião e como é que ela se pode ligar (ou não) ao Amor?

Quem é mais obsessivo - Jed ou Joe?

Estas são algumas questões soltas. O resto ficará para a sessão.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Os Sofrimentos do Jovem Werther


Amanhã é dia de WERTHER, na Comunidade de Leitores. Sem nos sentirmos atingidos ou a sofrer da síndrome com o mesmo nome, analisaremos esta história de paixão funesta.
Werther amará assim porque o objecto do seu amor é inacessível, inatingível? Uma vez que Lotte vai casar – e casa – com Albert e nunca diz que retribui o seu amor, o que acontece "dentro" de Werther?
Como resolver este triângulo amoroso?
Uma vez que Goethe experimentou uma situação semelhante, mas evidentemente não se matou – essa foi a história de um outro seu conhecido do tempo de Leipzig – estaria Goethe a fazer uma crítica subtil ao movimento romântico? A esse "Sturm und Drang" de que ele é o expoente máximo?
Qual o papel da Natureza nesta história. (Goethe estava próximo de Rousseau e contra Voltaire?)
Será "Werther", o livro, um manual de paixão não correspondida ou um vigoroso aviso contra os excessos?
(De notar que tudo o que acontece a Werther não é provocado por "factores adversos", exteriores, mas sim por causa da sua própria natureza).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"LE ROUGE ET LE NOIR"

LE ROUGE ET LE NOIR
Para Stendhal, o grande admirador de Napoleão, tudo era político... incluindo o AMOR. Hoje, na Culturgest, Lisboa, é dia de "Síndrome de Stendhal". A sessão da Comunidade de Leitores é dedicada à leitura de "O Vermelho e o Negro".
Falaremos do conceito de Amor expresso por Stendhal - a célebre "cristalização" - do donjuanismo, das várias faces do Amor : Amour-passion, o único que Stendhal subscrevia; Amour-physique; Amour-goût; Amour-vanité.
Discutiremos se o Amor em Stendhal é (poderá ser) uma fraude; se o Amor possui poderes evocativos de associação mental, se a ideia de dotar o (a) amado(a) de qualidades superiores não será um embuste sério.
Falaremos, também, do grande retrato de época que é "O Vermelho e o Negro", dos diferentes níveis da sociedade, de Julien Sorel, o self-made man, e o seu destino.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ode ao Amor

Imagem De Chirico
Já que estamos a falar de AMOR nas nossas sessões de leitura, aqui fica um Poema de Jorge de Sena - ODE AO AMOR.

(Dedicado à Aldina Duarte, ao seu cantar, à sua Arte)


Tão lentamente, como alheio, o excesso de desejo,
atento o olhar a outros movimentos,
de contacto a contacto, em sereno anseio, leve toque,
obscuro sexo à flor da pele sob o entreaberto
de roupas soerguidas, vibração ligeira, sinal puro
e vago ainda, e súbito contrai-se,
mais não é excesso, ondeia em síncopes e golpes
no interior da carne, as pernas se distendem,
dobram-se, o nariz se afila, adeja, as mãos,
dedos esguios escorrendo trémulos
e um sorriso irónico, violentos gestos, amor...
ah tu, senhor da sombra e da ilusão sombria,
vida sem gosto, corpo sem rosto, amor sem fruto,
imagem sempre morta ao dealbar da aurora
e do abrir dos olhos, do sentir memória, do pensar na vida,
fuga perpétua, demorado espasmo, distração no auge,
cansaço e caridade pelo desejo alheio,
raiva contida, ódio sem sexo, unhas e dentes,
despedaçar, rasgar, tocar na dor ignota,
hesitação, vertigem, pressa arrependida,
insuportável triturar, deslize amargo,
tremor, ranger, arcos, soluços, palpitar e queda.

Distantemente uma alegria foi,
imensa, já tranquila, apascentando orvalhos,
de contacto a contacto, ansiosamente serenando,
obscuro sexo à flor da pele... amor... amor...
ah tu senhor da sombra e da ilusão sombria...
rei destronado, deus lembrado, homem cumprido.
Distantemente, irónico, esquecido.


Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ligações Perigosas

Imagem: Filme de Stephen Frears com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer


Depois de amanhã, dia 4 de Fevereiro, é dia de "Ligações Perigosas", isto é, de "jogos" amorosos no decadente e libertino século XVIII. De acordo com Dennis de Rougemont em "O Amor e o Ocidente" este é o tempo de Sade , Casanova e D. Juan - este último um mito recuperado da história de 1630 de Tirso de Molina, "El Burlador de Sevilla y convidado de piedra" - uma época em que se distinguem dois traços característicos nos heróis - amantes: o pérfido e o celerado. A antítese das verdades do amor cavalheiresco, isto é, a candura e a cortesia.
Valmont e a Marquesa de Merteuil em "Ligações Perigosas" inscrevem-se nesta tipologia erótica.
No entanto, Rougemont faz notar que D. Juan - que encarna o mito - é uma "espécie pura", é todo instinto, combinando todas as possibilidades da "infidelidade perpétua", desafiando perigos e convenções pelo mero prazer de "roubar prazer". Quanto a Valmont e Merteuil são os rostos de ums sociedade moribunda, afogada no seu excesso, dançando até à morte - D. Juan entrega-se a ela - sem conhecer limites.
Diz Rougemont depois de comentar " o ideal destruído no século XVII: " Este recalcamento do mito pela ironia universal e o triunfo aplaudido dos "traidores" preparam as mais estranhas reaparições. Entre tantas facilidades, saciedades e requintes intelectuais ou voluptuosos, uma das necessidades mais profundas do homem permanece privada de satisfação: o desejo de sofrer". (Pág. 191, Ed. Moraes, Lisboa, 1982). O que nos remete para Sade, evidentemente, e para o seu "método" analisado por Roland Barthes em "Sade, Fourier e Loyola" onde escreve em Sade II: “Attendu qu’il est tout a fait préférable pour le plaisir que les choses se passent de façon ordonné…”
Ordem e calculismo, método e objectivos bem definidos , assim se passa o tempo em jogos amorosos ao longo de muitas cartas trocadas entre os vários e várias intervenientes das “Ligações Perigosas”.
A seguir com atenção…
A questão é sempre a mesma: Quem ama verdadeiramente quem? Por que parâmetros? Que tipo(s) de amor é (são) este(s)?
Quem ama "à antiga" ? E será esse um amor mais "nobre"?
O que dizer da "pureza" de Madame de Tourvel ou da "inocência" de Cecile de Volanges' Qual o papel de Madame de Volanges e de Madame de Rosemond? Será Danceny - Le Chevalier - uma espécie de Romeu perdido no tempo?
Até 5ª

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ligações Perigosas


Estou a (re)ler "Ligações Perigosas" ( 1782) de Choderlos de Laclos para a próxima sessão da Comunidade. Devo confessar que estou um pouco entediada. Mas vou avançar. Dentro em breve escreverei aqui alguma coisa que sirva de pistas de leitura. Lembrei-me que poderíamos ler , também, as cartas de Soror Mariana Alcoforado, a desavergonhada freira que se antecipou a tudo isto. E referir o Marquês de Sade. A época é a mesma. Ah! E podíamos ler a adaptação do Heiner Müller, de 1981, chamada "Quartet".

Fiquemo-nos, por agora, com a imagem de Fragonnard.