quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Comunidade Leitores


Amanhã, quinta-feira - às 18h30, como é hábito - vamos discutir "Corpo Presente" de Anne Enright. Uma irlandesa com um dilacerante humor negro que desvenda os segredos mais obscuros de uma família bastante peculiar. A escrita desta vencedora do Booker Prize é muito original e encantatória. A história é terrível e muito bem contada.

No centro de tudo está a questão: como é que conhecemos tão mal as pessoas que nos estão mais próximas?

E por que razão é possível odiar tanto quem mais se ama?

Quão longos são os tentáculos da memória. Amanhã veremos.

Quem estiver interessado(a) poderá ler a recensão deste romance em http://www.storm-magazine.com/

domingo, 29 de novembro de 2009

NOCTURNO de Cristina Carvalho

A LER SEM DEMORA

Primeiro foi “O Gato de Upsala” que me apanhou de surpresa e me prendeu à escrita de Cristina Carvalho. Depois, conhecemo-nos – nestas rondas de afinidades electivas da escrita e da leitura – e depois foram os seus outros livros, a sua atitude apaixonada e intensa em relação à vida, à arte e à literatura, os seus risos e boa disposição aliados a uma quase timidez e discrição, um saber estar sem pose, sem artifícios. Uma mulher total, pensei eu.
E, depois, chegou este “Nocturno”, um livro único, à margem dos modismos da Literatura Portuguesa actual, com um trabalho esforçado de pesquisa e uma linguagem solta, dinâmica, vibrante e encantatória. É impossível parar de ler esta biografia ficcionada do romântico Fryderyk Chopin, cuja curta vida foi plena de som e de fúria mas não sem significado. Amante e boémio, complexo e delicado, apaixonado e apaixonante, intenso e frágil, Chopin representa uma época e uma forma de estar que parece distante da nossa mas que continua a intrigar-nos e a seduzir-nos. Ele viveu um tempo de grandes convulsões, quando a morte e a vida dançavam a mesma feroz melodia e em que o ser humano comungava estreitamente com a Natureza, encontrando nela – e no Amor – um profundo encanto e uma razão para o absurdo da existência. Frédéric, Fryc fez mais do que viver intensamente. Transpôs para a sua música toda a energia, Beleza, sentimento e Transcendência que, haja o que houver, será sempre tudo aquilo que nós, homens e mulheres, almejamos no mais íntimo do nosso corpo e do nosso espírito. Cristina Carvalho, em “Nocturno” devolve-nos esse desejo e coloca perante o nosso olhar o espelho das nossas dúvidas e ansiedades.
“Nocturno” é um romance de uma vida. De uma vida romântica, na verdadeira assumpção do termo. Escrito por uma mulher que vive romanticamente.
Com a música, sempre a música, a tocar.

Nota : não confundir “romântico” com “sentimental”. Cristina Carvalho nunca é sentimental. E escreve como se respirasse. Com uma cadência perfeita. Com prazer.

“Nocturno”, Cristina Carvalho, Ed. Sextante, Lisboa, Novembro, 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Amanhã temos Sessão Comunidade


Amanhã temos Sessão Comunidade de Leitores, na Culturgest - 18:30

O livro em discussão será "LOVE" de Toni Morrison

Que "AMOR" será este? Que espécies de "amores" existem neste romance circular, apaixonado e encantatório?

Onde está situada a fronteira entre o amor e o ódio?

E será que o amor faz com que as pessoas sejam melhores? Ou piores?

Se tiverem interesse, leiam a minha recensão a este mesmo livro em www.storm-magazine.com

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Para a semana é tempo de AGUSTINA


NOTA DE IMPRENSA:

De 26 a 31 de Outubro têm lugar na FNAC – Chiado, em Lisboa, 4 conversas sobre 4 grandes temas do universo de Agustina Bessa-Luís, com a presença de personalidades destacadas da nossa vida cultural. Modera as sessões “Agustina na FNAC” a crítica literária Helena Vasconcelos.
Agustina é uma das grandes e renovadas revelações da literatura portuguesa dos últimos cinquenta anos – e a sua assombrosa frescura torna-se cada vez mais evidente. São os novos públicos que a vão, de novo, descobrindo – e que, nessa descoberta, a vão tornando a revelar. Objecto de um verdadeiro culto académico, Agustina é o contrário do academismo. Irreverente, desconcertante, irrepetível, corrosiva, bem-humorada, é uma escritora do nosso tempo para o nosso tempo.
Esta inicitaiva da FNAC Portugal, com o apoio da Guimarães Editores, integra-se no projecto “ADN – Agustina Desígnio Nacional”, um ciclo de iniciativas que visa celebrar a autora e consagrá-la como um dos maiores escritores vivos de língua portuguesa. A Associação da FNAC a este projecto é mais um sinal da actualidade e vitalidade desta escritora intemporal.
Informação também disponível em HTTP://CULTURA.FNAC.PT
Rui Morais e Castro
Guimarães Editores

PROGRAMA : AGUSTINA NA FNAC (Chiado – Lisboa)

Moderadora : Helena Vasconcelos (crítica literária)

ENTRADA LIVRE

SEG. 26 OUT. - 18h30

I. As Artes de Agustina

§ Graça Morais
§ João Botelho
§ Mónica Baldaque

TER. 27 OUT. • 18h30

II. Os Homens e as Mulheres em Agustina

§ Inês Pedrosa
§ Francisco José Viegas
§ Patrícia Reis

QUA. 28 OUT. • 18h30

III. Agustina e as Relações de Poder

§ Lídia Jorge
§ Filipa Melo
§ Miguel Real

SAB. 31 OUT. • 19h00

IV. Os Aforismos de Agustina

§ Pedro Mexia
§ José Manuel dos Santos
§ Maria Helena Padrão

AGUSTINA NA FNAC

Quantos mundos cabem no universo de Agustina? A escritora criou uma galáxia de personagens e lugares, de emoções e sensações, de ímpetos e desejos que a tornam única e, evidentemente, imprescindível para a compreensão da nossa identidade e da nossa cultura. Agustina arrasta-nos pelas paisagens férteis do Douro, pelas ruas e traseiras dos prédios do Porto, pelas salas, corredores e recantos das casas rurais ou citadinas, acompanhando homens e mulheres, fortes e fracos, fiéis e desleais, a braços com o tumulto do mundo. Agustina, com os seus 87 anos bem vividos, detentora de inúmeros Prémios, autora de uma obra vastíssima, exploradora de todas as formas de comunicação, vai ser falada e discutida na FNAC.. Nunca é demais celebrar Agustina.

I - As Artes de Agustina
Realizadores de cinema como Manoel de Oliveira e João Botelho compreenderam bem o potencial das luxuriantes descrições das paisagens – interiores e exteriores – da vida dos objectos que abundam nos seus livros. Mas se Agustina “dá a ver” através da escrita, ela é, também, uma observadora curiosa e atenta. A sua cumplicidade com Maria Helena Vieira da Silva ficou registada em “Longos Dias Têm Cem Anos” e o fascínio por Rembrandt deu origem a “A Ronda da Noite” com o seu inquietante mistério.

II - Homens e Mulheres em Agustina
A sua galeria de personagens masculinas e femininas – a que se deve acrescentar a de alguns animais emblemáticos – rivaliza com as de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós. É através das suas figuras femininas e masculinas, de todas as idades, que Agustina define um sistema de valores que rege um universo aparentemente rígido. Mas a força imanente e telúrica do lado feminino e o exercício da vontade do lado masculino estabelecem um desequilíbrio constante e perigoso.

III - Agustina e as Relações de Poder
Em Agustina, nada é pacífico. Por essa razão não admira que a busca e exercício do poder seja um dos temas mais constantes da sua obra. E, uma vez que o poder se adquire através da luta, há inúmeras batalhas nos seus livros. Daí também o fascínio por figuras da política, como o Marquês de Pombal (em “Sebastião José”) e como Francisco de Sá Carneiro (em “Os Meninos de Oiro”) . Ela sabe bem como os seres humanos atravessam a vida esgrimindo agilmente todas as possibilidades de dominação.

IV - Os Aforismos de Agustina
A leitura dos aforismos de Agustina transforma-se numa resolução de charadas. Mais do que provérbios, ditados ou sentenças em torno de temas que vão do amor à morte, do desejo às virtudes, do sofrimento à felicidade, estas frases lacónicas e cortantes, aproximam-se da reflexão filosófica e fazem as vezes de revelações ditas por um oráculo esclarecido e visionário. Um aforismo pode ser sibilino, luminoso, pacífico ou escandaloso. Agustina dá-nos a provar o sabor de todos eles.
Helena Vasconcelos

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Marguerite Yourcenar


Estamos a ler Marguerite Yourcenar. Não resisto a mencionar outros Zenão, anteriores ao protagonista de "A Obra ao Negro":
Zenão de Citium, filósofo grego, fundador da Escola Estóica. Ensinou em Atenas nos anos 300 a. C. . Baseando-se nas ideias morais dos Cínicos, o Estoicismo colocava grande ênfase na bondade e na paz de espírito que seriam alcançadas através de uma vida de virtude e em concordância com a Natureza.
Zenão de Eléia (hoje em Itália), filósofo grego, terá nascido cerca de 490-485 a. C., e desafiou os conceitos de movimento e de tempo através de quatro paradoxos que criaram uma certa agitação, ainda hoje visível. As teorias do movimento estão intimamente relacionadas com as teorias sobre a natureza do espaço e do tempo. Na Antiguidade, foram defendidas duas perspectivas opostas: a hipótese do Uno, defendida por Parménides (n. 515-510 a.C.), e a dos seus adversários, que defendiam o pluralismo.Zenão era discípulo de Parménides e tentou fazer com que os seus adversários caíssem em contradição. De facto, Zenão mostrou que examinando a questão a fundo se obtêm consequências mais absurdas partindo da hipótese da pluralidade do que da hipótese do Uno.As hipóteses contra as quais Zenão dirigiu o seu talento destrutivo foram principalmente a da pluralidade e a do movimento, que eram indiscutivelmente aceites por todos, salvo pelos próprios Eleatas.

sábado, 26 de setembro de 2009

E, agora, vamos ler "A Obra ao Negro" de Marguerite Yourcenar

O tempo foi escasso para a discussão sobre "A Costa dos Murmúrios" de Lídia Jorge. Dissecámos o seu olhar nada romantizado nem complacente sobre a Guerra, a noção de prisão- os vários compartimentos, do Stella Maris (uma espécie de colmeia) à casa de Helena, dos contentores na praia ao Moulin Rouge - o sentido da desumanização e do caos, o poder da hierarquia militar ( e o porquê dessa força), o lado anti-épico do romance, os ritos iniciáticos, o percurso de descoberta pessoal de Evita/Eva Lobo, a cicatriz de Forza Leal e o seu simbolismo, a tarefa de Helena - abrir a caixa de Pândora - o significado de um conflito que teve três nomes : Guerra Colonial, Gurra da Libertação e Guerra de África, consoante os lados assumidos. E conversámos ainda, longamente, sobre a magnificência da escrita, a desconstrução da narrativa, a forma como os odores e as cores se infiltram na mente do leitor, etc. Discutimos mais : a Ilíada e a "glória" dos guerreiros, Penélope e os Ulisses deste mundo, a necessidade (ou não) da Guerra, a violência inata - discussão: seremos todos capazes de matar e de cometer atrocidades e em que circunstâncias - a situação das mulheres na segunda metade do século XX, a ambiguidade e complexidade de África, a descoberta do "outro", o racismo, o imperialismo. Não esgotámos os temas, muito mais ficou por dizer.
A seguir vamos mergulhar noutro século tão complexo e "acelerado" como o século XX, com "A Obra ao Negro" de Marguerite Yourcennar. Preparem-se que vai ser duro.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Comunidade Leitores


É já amanhã.

Começa mais uma Comunidade de Leitores na Culturgest. Que saudades tenho das minhas companheiras e dos meus companheiros de leituras! Dos meus amigos e amigas! Das nossas discussões e conversas! Daquele tempo que se prolonga, mesmo depois do fim... É já amanhã: às 18:30 naquela sala confortável da Culturgest.

O livro que iremos discutir é "A Costa dos Murmúrios" de Lídia Jorge, Ed. Dom Quixote. O tema, se bem se lembram, é "Confrontos, Guerras, Escaramuças" . Amanhã, falaremos da Guerra Colonial. Ou seja, da "Guerra da Libertação" ou "Guerra de África".
A releitura do livro de Lídia Jorge confirmou a minha opinião de que este é um dos mais importantes e bem escritos sobre este tema - não só a "nossa" guerra mas todas as guerras. Porque mostra como tudo se altera, das relações pessoais à paisagem, das culturas de povos ao estado psicológico (individual e colectivo).
Através de personagens bem marcadas e de uma descrição de ambientes soberba, Lídia Jorge provoca-nos, confronta-nos e questiona-nos.
Amanhã, faremos isso mesmo.
Leituras complementares:
"Os Cus de Judas", "Memória de Elefante" e "D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto - Cartas de Guerra" - António Lobo Antunes, Ed. Dom Quixote (Guerra Colonial)Há muito mais obras sobre o tema da Guerra Colonial. Aqui ficam, apenas, umas sugestões.
"O Regresso do Soldado"- Rebecca West, Ed Relógio D'Água ( 1º Grande Guerra -´Stress pós-traumático)
"Perto da Felicidade" Richard Yates , Ed. Quetzal ( o que se passa na América nos anos 40 entre duas Guerras, já perto da Segunda. O que sentem os protagonistas nesse estado de antecipação. A frustração de quem não combate.
Para os leitores de Língua Inglesa : Poesia de Wilfred Owen e de Siegfried Sasson os grandes poetas dos horrores das trincheiras durante a 1ª Grande Guerra.